VISUAL KEI (VK)  
     
  Procurarei explicar neste espaço, um pouco do fenômeno do j-rock visual.
Nos últimos anos, o movimento visual kei expandiu, aparecendo novas variantes, como Kotekote Kei, Elegant Gothic Lolita / Aristocrat, Angura Kei, Eroguro Kei e Oshare Kei.
 
     
 

A RELAÇÃO ROCK JAPONÊS, A MODA E OS FÃS

1 - Introdução

Visual Kei ou Visual Rock é um tipo de música pop/rock japonês em que os músicos dão forte ênfase numa aparência visual ostentosa, vestindo-se com trajes bem trabalhados. Qualquer coisa, de uma pitada de glamour a um exagero de personificação feminina pode ser chamado de Visual Rock. Esses artistas consideram que precisam se enfeitar para encenar sua música.
Como símbolos mais altos de expressão da nova sociedade japonesa, as bandas "Visual Kei" estão transformando-se na força motriz da música japonesa e no cenário da moda.
Durante muito tempo, o povo japonês tem reprimido seu impulso inato e um desejo apaixonado de expressar o estilo único e colorido que lhes é próprio.
A onda de modernização que transformou o Japão, iniciada no final de 1860, assim como o empenho nos anos pós-guerra para construir o monumento tecno-industrial, tão famosamente conhecido como "Japan Incorporated" (sociedade Anônima Japonesa), baseou-se num projeto que exclui os valores individuais, e no estabelecimento de um padrão de homogeneidade. Mais ainda, talvez, do que a antiga União Soviética, no apogeu do controle totalitário, a tríade japonesa: governo, corporações e escolas, lograram com êxito na criação de uma sociedade Orwelliana, completada não apenas por "pensamento grupal", "discurso grupal", mas também pela "aparência grupal". Sacrificar os sonhos individuais e quase todo traço de individualidade foi a estratégia que os japoneses conscientemente empregaram para alcançar a supremacia econômica e tecnológica. Com quase todos os prazeres individuais negados, a nação pôde perseguir seus objetivos em concordância harmoniosa.
Na era industrial, quando as roupas, os carros, a comida são produzidos em série, os meios de comunicação de massa e a educação de massa, faz os japoneses aparentarem a si mesmos, como produzidos em massa; perderam um grau imensurável de sua individualidade e talento para expressão pessoal. Essa perda foi particularmente severa quando a uniformidade, conformidade e supressão do eu foi elevada ao status máximo de qualidade pessoal. A tragédia para o Japão e os japoneses, que tinham até a modernização, se desenvolvido dentro de uma sociedade brilhantemente colorida, completada com quimonos deslumbrantes, bordados com cores vibrantes e visualmente excitantes, feitos para o entretenimento no palco, como o teatro Kabuki e Noh, mudou, como se a vida tivesse sido completamente sugada ou retirada. Uniformes pouco atraentes e moradias pré-fabricadas tomaram o lugar da riqueza cultural e da variedade individual.
A individualidade é algo novo para os nipônicos. Em pouquíssimas sociedades ocidentalizadas, o papel do grupo está tão presente e enraizado quanto no Japão. Em casa, na escola ou entre amigos, a regra é, simplesmente, aceitar e seguir à risca os mandamentos do grupo. "Os jovens japoneses não tem imagem definidas deles mesmos. Por não saberem, ainda, a pensar como indivíduos, eles querem se libertar das semelhanças, abraçando o diferente, o exótico", diz Ken Ohira, autor de dez livros sobre psiquiatria de adolescentes. Essa rebeldia juvenil, ainda que apenas no modo de se vestir, pode ter uma data exata para acabar. Quando completam 20 anos, os jovens passam a ser considerados adultos. Aí, ou eles caem na marginalidade ou se enquadram, o que significa abandonar a fantasia de ser diferente e adotar o terno e gravata ou o tailleur para se transformar em um salaryman ou uma office lady, como são conhecidos os funcionários de escritórios, destino da maioria que deseja uma situação financeira estável. Mas enquanto a hora da verdade não chega, os jovens gastam toda a energia na busca por roupas que, obrigatoriamente, devem ser as mais extravagantes possíveis.


Exemplo de banda "visual kei", Aile.

2 - Breve Histórico

Logo no inicio dos anos 70, uma porção de celebridades do rock, do sexo masculino, no Japão, exploraram novas formas de expressão visual, adotando a moda, estilo, adornos e mesmo movimentos do sexo oposto.
X Japan parece ser a banda que iniciou isto tudo. Formado em 1982 por Yoshiki Hayashi, compositor, baterista e pianista, e Toshimitsu Deyama, vocalista, debutam como X em alguns álbuns de compilação de heavy metal em 1985 e 1987. Depois, Yoshiki criara a própria banda indie deles e uma própria gravadora, Extasy Records, e X lançam o primeiro álbum, Vanishing Vision, extremamente pesado, mas com algumas melodias lentas agradáveis também (Alive, Unfinished). Em março de 1989, exatamente um ano depois de do álbum Vanishing Vision, X fez um debute como profissionais em uma grande gravadora, Sony Records, com um álbum fabuloso chamado Blue Blood. Mostra o real talento deles, sinceramente, com uma menção especial para a faixa 11, Rose of Pain, clímax do álbum, uma fusão perfeita de rock e música romântica.
As cortes imperiais, os reinos milenares, tradições e procedimentos raros, o movimento Visual Rock, cala muito fundo longínquas terras japonesas. Como personagens transformados tecnologicamente de uma obra de Mishima apresentada no tradicional teatro Kabuki, esse movimento tem cada vez mais adeptos no mundo ocidental - a ambigüidade, androgenidade, maquiagem, penteados volumosos, vestimentas femininas e uma produção invejável são o essencial desse movimento que vem crescendo no Japão desde 1985.
Reconhecidamente, a sociedade pós-industrial está dando lugar a uma época que requer das pessoas que refinem seus gostos e que se diferenciem umas das outras. Um cético seria rápido em dizer que a tendência ao individualismo e à expressão da própria personalidade é meramente uma intenção proposital de vender produtos e serviços para as pessoas, de forma que se tornem mais refinadas, e num nível mais profundo que foi possível anteriormente. E isso é verdade, mas num nível elevado, as pessoas agora tem a oportunidade de se expressar como desejam, e irão, indubitavelmente descobrir coisas novas sobre o universo.
O Visual Kei representa a emergente disposição japonesa de usar a sensitividade existente na era pré-industrial, enquanto usam uma musica que combina pop/rock com a musica barroca e clássica, convidando as pessoas a experimentarem um novo mundo, que tenha possibilidade de vir a ser tão belo e cativante quanto a fantasia que ele representa.
O que está em jogo não é nada ideológico. Ninguém pretende derrubar o imperador. A maioria dos jovens de hoje quer apenas a liberdade de viver de acordo com as próprias idéias. Cansados de um sistema que inibe a expressão individual, os novos japoneses estão mostrando que já não são tão iguais. Ao menos, no jeito de se vestir.
Os ventos da mudança podem ser sentidos com maior intensidade na capital, Tokyo. Mais precisamente, nas ruas dos bairros de Harajuku e Shibuya, uma vitrine viva, onde estão as maiores concentrações de jovens por metro quadrado da cidade. É nesses tradicionais redutos da moda, que a juventude antenada vai para ver e, claro, ser vista. Quem está lá, dita as regras da moda que vai ser seguida pelos jovens do resto do país. Tanto que os fotógrafos e produtores fazem plantão nas movimentadas esquinas em busca das melhores criações individuais que irão rechear as diversas revistas de moda. "Atualmente, são os designers que vão às ruas observar os jovens para se inspirar na moda surgida no dia-a-dia", diz Mariko Suzuki, editora-chefe da Revista Kera, destinada ao público de até 20 anos. "Mais atentos às novidades, os jovens são os maiores entusiastas da idéia de que cada pessoa pode escolher o que quiser vestir, sem seguir regras ou padrões"
Nos últimos anos, o Japão tem criado uma cultura jovem com uma paixão por vestuário e adornos. Isso é conhecido como "cosplays" ou "costume play" e já tem se tornado conhecido no mundo todo (a maioria das pessoas usam cosplay de personagens de desenho animado). Talvez, voltando ao assunto dos dias históricos do Kabuki, os jovens japoneses desejam continuar a tradição de fuga da realidade através da roupa e estilo.
No Japão, entretanto, a forma tradicional de arte do Kabuki produziu gerações de atores masculinos que interpretavam papéis femininos, parecendo tão delicados e se movimentando com tanta graciosidade que era difícil distingui-los de uma mulher de verdade. Hoje, uma parte do pop-rock japonês, o movimento "Visual Kei", repete a pratica de seus precursores no mundo Kabuki e tem sucesso em criar uma forma de arte de apelo totalmente visual, que desfruta de muita popularidade.
Precisamos aprender a não julgar pelas aparências, são muito poucas as bandas na atualidade, que contam com mulheres em sua formação. Com freqüência as bandas criam uma fantasia muito particular para um álbum, que é usada em revista, sessões de vídeo e apresentações de shows; esta imagem é usada por todos os membros do grupo até a aparição do próximo álbum. Inclusive se uma banda se apresenta com um visual gótico, punk, a surpresa é tremenda na hora de escuta-los, já que deles pode-se ouvir pop, heavy metal, gótico e até música clássica.
Também deve-se entender que a imagem que apresentam, nem sempre refletem a vida real dos membros do grupo, simplesmente, não é porque eles se vestem como uma garota, é apenas no cenário que eles se vestem com vestidos; está aqui justamente a inconsistência que faz a separação da encenação "visual", do verdadeiro "gótico" e do "punk" e outras variantes no Japão.


Exemplo de banda "visual kei", Psycho lé Cemu.

3 - A Música

A música Visual Rock é quase impossível de classificar, dado que cada banda possui seu estilo particular, e abarcam elementos de todos os lados, tanto de música clássica como do gótico; todos tem seu próprio mix de estilos musicais. Como a imagem que apresentam, sua música também está em constante mudança - em um álbum podem gravar em estilo heavy metal, para no trabalho seguinte apresentar misturas de pop com techno, constantemente mudam tanto a música, o aparato, como o interesse e pensamento.
A maioria das bandas pertencem a selos independentes (denominadas bandas indies), coincidentemente durante o período em que eles se apresentam em seu melhor esplendor, o chamado "Visual". Uma vez alcançado certo status, com freqüência deixam de lado toda esta imaginária e mudam para um estilo mais parecido com uma banda ocidental. Em alguns casos, o vocalista ou outro membro de uma banda visual, abandonam o estilo, seguindo carreira solo, deixando todo o vestígio de seu aspecto visual de lado Este é o caso do cantor Gackt, que, ao deixar sua banda original, Malice Mizer, não demorou muito tempo para mudar radicalmente. No recente cenário do Visual Rock, os favoritos pelo desenvolvimento da moda extremista são: Dir en grey, D, Kagerou, Kagrra,, entre outros. Algumas das bandas mais influenciadas pelo movimento gótico são Malice Mizer, Velvet Eden e Art Marju Duchain.
Uma figura representativa no ramo do "Visual Kei" que enfatiza qualidades femininas é o trio de rock Shazna, cujo vocalista Izam, parece-se demasiadamente com uma linda garota. Tão feminino é o Izam, que a maioria das pessoas, de inicio pensam que ele é realmente uma mulher. Tal como Malice Mizer, está caminhando na onda do expressionismo visual que está varrendo a geração jovem atual.
Ao contrário de Israeli, cantor da Dana Internacional, um transexual que cruzou completamente as fronteiras do gênero espiritual e fisicamente, Izam é totalmente heterossexual. Ele tinha uma namorada, uma estrela de cinema e TV, Yoshikawa Heinano.
O álbum recém gravado do Shazna, "Golden Sun and Silver Moon" (Sol dourado e Lua prateada), vendeu mais de 1 milhão de cópias, devido principalmente ao impacto visual do grupo. Afinal, as bandas de Visual Kei enfatizam mais a aparência e uma filosofia do que um tipo de musica. A música é meramente um plano de fundo sonoro para a tendência social dos homens de enfeitar-se com um toque feminino e um desejo profundamente assentado de poderio pessoal para ambos, homens e mulheres.
A maioria das fantasias do Malice Mizer é carregada pelo uso de representações modernas da moda da era clássica da Europa, estendendo-se do estilo francês do tempo de Luiz XIV, aos czares russos. Seja num vídeo ou num concerto, Malice Mizer enfatiza consistentemente uma ornamentação barroca, movimentos e poses heróicos e dramáticos, e fragilidade emocional e física - freqüentemente retratadas em cenas de sofrimento. Em muitos shows, o músico Yuki se metamorfoseia em um vampiro que morde a personagem feminina de Mana no pescoço, deixando ambos sangrando, não com jatos de sangue gotejando, mas com pingos de sangue escorrendo suavemente do lado do pescoço ou do canto da boca.
As fãs femininas em particular, mas também os homens, são cativados pelas imagens projetadas pelos artistas do Malice Mizer. Mas a maioria dos fãs, não tem certeza do por quê que o Malice Mizer os atrai tanto. Todavia, existem algumas razões profundas porquê Malice Mizer e outras bandas de Visual Kei exercem tamanha atração.
Malice Mizer, a primeira, mais famosa e mais importante, confia num conceito que eles chamam de "retro-kan". Retro refere-se ao passado e vem diretamente da palavra "retrospectiva". Kan significa sentimento em japonês. Retro-kan é um recurso visual, que usa a rica imaginação da história datada de cerca dos anos XV, até a época antes da Revolução Industrial. Esta época é evocada não apenas por sua moda refinada e elegante, mas também por sua sensibilidade clássica, sua visão romântica da vida e da morte, e da total dependência da expressão vibrante e artística do ser humano integral, sem contar com os recursos tecnológicos ou artifícios de habilidades pessoais. Nessa época da história humana, as pessoas tinham mais tempo e contavam com suas habilidades inatas e recursos do coração e mente para entreter-se a si mesmos e aos outros.
Na época atual, a dependência da TV, computadores, aparelhos de comunicação, e de uma coleção de dispositivos de entretenimento, fez com que o ser humano perdesse o contato com suas habilidades e com o alcançar o coração dos outros através da expressão artística. O Malice Mizer transporta a um mundo onde os seres humanos tem uma vida interior mais rica, muito mais romântica e uma experiência mais rica de relacionamento humano.
Bandas como Fanatic Crisis, Moi dix Mois, Lareine, Wizard, Dir en grey, Pierrot, Mask, La'Cryma Christi, Gazette, Nightmare, Vidoll entre outros também fazem parte da mania Visual Kei no Japão.


Exemplo de banda "visual kei", Dir en grey.

4 - Curiosidades

* Garotos adolescentes no Japão estão usando porções consideráveis de suas mesadas em produtos de beleza que não estão associados com a cultura masculina de 5 anos atrás. Como parte do crescimento da beleza, rapazes jovens estão carregando suas próprias pinças para sobrancelhas, lápis de sobrancelhas, espelhinhos e outros acessórios em bolsas de maquiagens feitas para homens. Se é verdade que as mulheres admiram homens com olhos bonitos, segue-se que olhos acentuados por cosméticos estão ainda mais na moda? A resposta parece que sim, pelo menos no Japão. O resultado da popularidade segundo revela a revista de moda feminina "An-An", é que os homens que usam maquiagem, se arrumam e se pintam estão no top de lista.
A Shiseido Cosmetics constata que as vendas de kits de beleza para homens, incluindo produtos para o rosto excederam suas expectativas de vendas no último ano.
* Um elegante "Gothic Lolita", EGL ou simplesmente Estilo Lolita, é um adolescente ou jovem adulto japonês que se veste com um estilo surpreendentemente elaborado, com roupas de aparência infantil. Nos fins de semanas essas mulheres andam nas ruas de Tokyo e Osaka e enchem o Parque Yoyogi e nas vizinhanças de Harajuku onde posam para fotos de turistas e passam o tempo mostrando sua beleza. Elas são bonitas, glamourosas manifestações infantis de seus astros favoritos de Visual Rock.
Esse tipo de comportamento parece ter começado por volta de outono de 1999 como um estilo do tipo "Criada Francesa" ou "Alice no País das Maravilhas" e se expandiu gradualmente até incluir nuances de um Estilo Vitoriano. Não se iluda - essas jovens não tem nada a ver com o Estilo Western americano. Elas não ouvem música country e elas não são góticas segundo o padrão americano ou europeu (embora existam japoneses góticos, mas eles não são uma subcultura predominante).
A música preferida do Estilo Lolita, que combine com o visual e com os sons é uma mistura de heavy metal com tendência ao gótico.
* Dir en Grey e Malice Mizer são as mais populares e autênticas das bandas que as Gothic Lolitas imitam. O guitarrista da banda Malice Mizer, Mana, é quem freqüentemente recebe o crédito por ter começado a moda Gothic Lolita. Algumas vezes ele usa um modelo no estilo de traje de luto Vitoriano, com vestidos muito elaborados, cabelos longos e maquilagem escura. O montante de tempo, energia e dinheiro que todas essas pessoas gastam com sua aparência é realmente surpreendente e inspirador ao mesmo tempo.
Há fãs homens de todas as formas de Visual Rock, mas os homens não participam do estilo Gothic Lolita. Os fãs masculinos não se interessam em parecer femininos e são as mulheres que querem ser parecidas com seus ídolos.
Quando o visual começa a tender para o traje Vitoriano, com vestidos longos escuros, maquiagem tétrica, então é Visual Kei ou apenas Gótico, e não Gothic Lolita. Mas um visual Vitoriano elegante com saia longa ainda é considerado Gothic Lolita.
As mulheres que se vestem no Estilo Lolita, o fazem somente nos fins de semana e para ir a concertos ao vivo. Esta é uma forma de escape para elas, uma maneira de faze-las se parecerem com seus ídolos e para chamar a atenção. A tentativa de parecer jovem e elegante ao mesmo tempo é um fenômeno puramente japonês. Dá pra imaginar adolescentes brasileiras hoje simulando Gothic Lolitas e parecer elegante ao fazê-lo? Possivelmente esse visual Lolita exerce a mesma fascinação para elas como faz o estilo Vitoriano ou Renascentista no ocidente. O encantamento de um tempo em que o traje era mais estimulante e melhor. Ou talvez essas jovens mulheres japonesas estão simplesmente seguindo uma tendência de ser uma parte da conformidade de uma enorme multidão. De ambos os modos este estilo é um visual bem vindo no cenário da moda mundial.
* Os fãs do Visual Rock, podem desfrutar de numerosos e elaborados shows, assim como eventos em clubes noturnos. Eles também podem ver mais detalhes e informações em revistas como Shoxx, Vicious e Fool's Mate, junto com centenas de sites na internet encontrando informações detalhadas dos grupos favoritos nos quais podem baixar mp3, vídeos, letras em inglês, fotos e o que existir deles.
A aparência de muitos chamam demasiadamente a atenção de todos, basta lembrar o ex-membro do X-Japan, Matsumoto Hideto, ou o visual da temporada 2001 do Malice Mizer ou os penachos do baixista da banda Glay para se ter uma idéia da importância disso no Japão. Outro fator é que eles não exportam suas musicas, dado que não lhes faz falta, eles fazem todo ciclo dentro de sua própria ilha, vendem milhões de discos e todo o derivado deles, avisos publicitários, promoções de filmes, como o tema de fechamento do filme Final Fantasy, elaborado pela banda L'Arc~en~Ciel. Uma curiosidade é que em um show recente da banda GLAY, foram reunidas aproximadamente 200 mil pessoas.
* Todo fã de Visual Kei tem pseudônimo devidamente impresso em um cartão de visitas, que distribui a vontade as pessoas lá no seu canto de Harajuku.


Exemplo de banda "visual kei", Gazette.

5 - Roupas e Acessórios

Herdeira de uma sociedade milenar, a juventude da segunda maior economia do mundo parece recém saída de uma festa muito louca onde quanto mais diferente e exótico, melhor. No mundo todo costuma se dizer que japonês é tudo igual. Grande engano. Cansados desta fama, os jovens do Japão fazem de tudo para ser diferentes. São tão ousados que, para os ocidentais mais parecem fantasiados.
Os ídolos que servem de inspiração da tribo Visual Kei são, principalmente, os grupos musicais cujos integrantes costumam se produzir com figurinos pra lá de excêntricos e com uma maquiagem em estilo fantasmagórica.
A produção visual das adolescentes beira o inconcebível - em comum, a variedade de acessórios e complementos como chapéus, óculos, cintos, meias coloridas e estampas de animais como zebra e onça, tamanco de lacinho, flor de plástico no cabelo, imensas unhas postiças e mais um elenco de loucuras. A ordem é dar vazão a todas as fantasias. Tudo no jeito de vestir dos adolescentes que circulam nesses bairros é conhecido no ocidente. Diferente é a atitude. A idéia é, simplesmente, curtir o figurino.
Os cabelos, independentemente do sexo, são lisos, tingidos, arrepiados ou simplesmente uma peruca colorida e penteados das mais variadas formas (para as mulheres, incluem-se arranjos). Lentes de contato, piercings, anéis, correntes, maletas e botas de couro, maquiagem branca ou exagerada, capas, terno de veludo e laço de cetim, vestimentas de bonecas e até mesmo braços enfaixados com gaze e sangue falso. Um guarda-sol é indispensável nos dias ensolarados. Copiar as bandas visuais não é tarefa fácil, uma vez que as fantasias das bandas mudam constantemente.
Os modelos são variados: médicos, enfermeiras, loucos, gueixas, bonecas góticas e outras criaturas transformam o espaço em um cenário de teatro.
Bolsas grandes são carregadas. Algumas são enormes, tipo malas numa variedade de modelos desde bolsa de viagem até maletas retangulares (geralmente usa-se bolsas grandes pois as adeptas costumam levar suas roupas dentro das mesmas no trajeto de suas casas aos bairros de encontro normais; e ao chegarem nesses locais costumam se produzirem em banheiros de redes de restaurante do tipo McDonald's, Burguer King, o que tornam esses banheiros verdadeiros mini-camarins).
A explosão de criatividade (e de exibicionismo) dessa tribo, porém, é do tipo Cinderela - evapora-se na hora de voltar para casa. Antes de entrar no trem, as meninas congestionam os banheiros de restaurantes para se trocar, pois o visual extravagante
incomoda as pessoas.


Exemplo de banda "visual kei" formado por mulheres, Danger Gang.

6 - Conclusão

No Japão atual, onde as pessoas tem tanto desejo reprimido de expressar-se como indivíduos, o jovem Izam (do grupo Shazna), satisfaz esta poderosa urgência pela concretização de suas mais profundas fantasias. Pessoas de todas as idades fantasiam-se, permitem a si mesmos realizar magia, viajar no tempo e mesmo mudar extremamente. Tais fantasias são os pensamentos de pessoas comuns, que tem o impulso interno e a ânsia de controlar seu próprio destino, através de mudança enérgica. Assim, quando legiões de fãs e não fãs, semelhantemente sentem-se fascinados com Izam, estão influenciados (ou hipnotizados) pelo que seu subconsciente vê como um exemplo de realizar o impossível: passar por uma metamorfose de extrema proporção. Na verdade, é como se Izam tenha se transformado magicamente em uma criatura do sexo oposto.
Irão os homens e mulheres gostar de alterar radicalmente suas aparências, imitando o sexo oposto o mais próximo possível? Definitivamente não - mesmo se não for por outra razão que as características do próprio gênero, a maioria das pessoas nunca poderiam ser distinguidas. Mas no mundo geralmente, onde a liberdade de expressão própria está crescendo rapidamente, nós podemos esperar que as pessoas sejam seduzidas por cada tecnologia histórica, cultural, sexual e no futuro, recursos genéticos que acrescentem a seu repertório de ferramentas de expressão própria. Com a tecnologia atual, vastos recursos de informações à escolha do consumidor virtualmente ilimitada, vivemos na Idade do Triunfo Individual.
O Visual Kei japonês é apenas uma expressão e celebração desta fase bem-vinda do progresso social nipônico.
Os jovens sabem apenas que esta tendência de modelo musical é algo que eles realmente gostam, porque é simplesmente "kakkoi", ou seja, legal. Mas uma análise mais profunda revelará que o Visual Kei é uma expressão de algo que é mais importante, de mudanças extensas que estão acontecendo hoje no Japão.
Os jovens não gostam mais de vestir as mesmas coisas que seus amigos porque querem ser identificados como indivíduos. Mas a busca da individualidade limita-se ao guarda-roupa. No comportamento a velha cultura nipônica de colocar o grupo acima do individuo continua viva e atuante. Prova disso é a volta do "para-para", uma dança dos anos 80 em que todo mundo tem que fazer exatamente os mesmos movimentos sincronizadamente.


Exemplo de banda "visual kei", Elldorado.


* Trabalho elaborado por Leandro Yoshiki em Maringá-Pr, 2002.

 
     
 
  VARIANTES DO VISUAL KEI  
 
 
 
ANGURA KEI:

O termo vem de "undergroud kei". São bandas com alta influência da própria cultura japonesa, principalmente tradicional (às vezes arcaica), e que costumam adotar visuais mais simples, geralmente com uma roupa típica japonesa, seja um quimono ou um uniforme escolar, e uma maquiagem preta e branca. O objetivo das bandas Angura Kei é criar algo o mais japonês possível, com o mínimo de influência estrangeira. Tem sua origem no movimento cultural dos anos 60, o "Angura".


Exemplo de banda "angura kei", Onmyoza.



ELEGANT GOTHIC LOLITA / ELEGANT GOTHIC ARISTOCRAT:

Estilo descendente do gótico, no qual o visual e as músicas têm bastante elegância e "glamour". No EGL, as roupas e maquiagem têm uma aparência infantil, enquanto no EGA os elementos infantis são deixados de lado. Geralmente aparatos de influência Vitoriana.


Exemplo de banda "EGL/EGA", Malice Mizer.



EROGURO KEI:

A palavra "eroguro" é a contração adaptada para o japonês do inglês "erotic and grotesque" (erótico e grotesco). No EK a maquiagem é feita para deixar o músico com aparência mais feia, às vezes mais agressiva, e as roupas podem ser tanto trajes comuns, como camiseta ou terno, quanto algo um pouco mais elaborado, mas com discrição bem maior do que nos estilos Elegant Gothic e Kotekote, por exemplo. O estilo é originado do movimento cultural "Eroguro Nonsense", surgido no Japão no início do século XX.


Exemplo de banda "eroguro kei", MUCC.



KOTEKOTE KEI:

O estilo mais tradicional do Visual Kei. Bem andrógino, obscuro e, geralmente, com um som bem peculiar.


Exemplo de banda "kotekote kei", Dué le quartz.



OSHARE KEI:

Estilo de bandas com visual mais colorido, de aspecto infantil. O som também pode ser mais leve e "feliz", mas não necessariamente, pois algumas bandas do estilo também criam músicas mais pesadas.


Exemplo de banda "oshare kei", Antique Cafe (Ancafe).


* Informações sobre as variantes do Visual Kei foram retiradas no site JROCKS. Visite para maiores esclarecimentos.
 
     
 
  NÃO VISUAL  
     
  É claro que no cenário musical japonês, especificamente no rock existem também as bandas que não possuem o estilo visual, ou que, em seu principio eram adeptos mas com o tempo deixaram de lado. Geralmente (não como um todo) bandas não visuais possuem muitas influências do ocidente em sua maneira de vestir e até inspiração musical. Aderem ao punk rock, ska, heavy metal, pop-rock entre outros.


Exemplo de banda não visual, 175R.



Exemplo de banda não visual, L'Arc~en~Ciel.



Exemplo de banda não visual, BUCK-TICK.



Exemplo de banda não visual, Wyse.



Exemplo de banda não visual, Sex Machineguns.