| |
A
RELAÇÃO ROCK JAPONÊS, A MODA E OS FÃS
1 - Introdução
Visual Kei ou Visual Rock é um tipo de música
pop/rock japonês em que os músicos dão forte
ênfase numa aparência visual ostentosa, vestindo-se
com trajes bem trabalhados. Qualquer coisa, de uma pitada de glamour
a um exagero de personificação feminina pode ser
chamado de Visual Rock. Esses artistas consideram que precisam
se enfeitar para encenar sua música.
Como símbolos mais altos de expressão da nova sociedade
japonesa, as bandas "Visual Kei" estão transformando-se
na força motriz da música japonesa e no cenário
da moda.
Durante muito tempo, o povo japonês tem reprimido seu impulso
inato e um desejo apaixonado de expressar o estilo único
e colorido que lhes é próprio.
A onda de modernização que transformou o Japão,
iniciada no final de 1860, assim como o empenho nos anos pós-guerra
para construir o monumento tecno-industrial, tão famosamente
conhecido como "Japan Incorporated" (sociedade Anônima
Japonesa), baseou-se num projeto que exclui os valores individuais,
e no estabelecimento de um padrão de homogeneidade. Mais
ainda, talvez, do que a antiga União Soviética,
no apogeu do controle totalitário, a tríade japonesa:
governo, corporações e escolas, lograram com êxito
na criação de uma sociedade Orwelliana, completada
não apenas por "pensamento grupal", "discurso
grupal", mas também pela "aparência grupal".
Sacrificar os sonhos individuais e quase todo traço de
individualidade foi a estratégia que os japoneses conscientemente
empregaram para alcançar a supremacia econômica e
tecnológica. Com quase todos os prazeres individuais negados,
a nação pôde perseguir seus objetivos em concordância
harmoniosa.
Na era industrial, quando as roupas, os carros, a comida são
produzidos em série, os meios de comunicação
de massa e a educação de massa, faz os japoneses
aparentarem a si mesmos, como produzidos em massa; perderam um
grau imensurável de sua individualidade e talento para
expressão pessoal. Essa perda foi particularmente severa
quando a uniformidade, conformidade e supressão do eu foi
elevada ao status máximo de qualidade pessoal. A tragédia
para o Japão e os japoneses, que tinham até a modernização,
se desenvolvido dentro de uma sociedade brilhantemente colorida,
completada com quimonos deslumbrantes, bordados com cores vibrantes
e visualmente excitantes, feitos para o entretenimento no palco,
como o teatro Kabuki e Noh, mudou, como se a vida tivesse sido
completamente sugada ou retirada. Uniformes pouco atraentes e
moradias pré-fabricadas tomaram o lugar da riqueza cultural
e da variedade individual.
A individualidade é algo novo para os nipônicos.
Em pouquíssimas sociedades ocidentalizadas, o papel do
grupo está tão presente e enraizado quanto no Japão.
Em casa, na escola ou entre amigos, a regra é, simplesmente,
aceitar e seguir à risca os mandamentos do grupo. "Os
jovens japoneses não tem imagem definidas deles mesmos.
Por não saberem, ainda, a pensar como indivíduos,
eles querem se libertar das semelhanças, abraçando
o diferente, o exótico", diz Ken Ohira, autor de dez
livros sobre psiquiatria de adolescentes. Essa rebeldia juvenil,
ainda que apenas no modo de se vestir, pode ter uma data exata
para acabar. Quando completam 20 anos, os jovens passam a ser
considerados adultos. Aí, ou eles caem na marginalidade
ou se enquadram, o que significa abandonar a fantasia de ser diferente
e adotar o terno e gravata ou o tailleur para se transformar em
um salaryman ou uma office lady, como são conhecidos os
funcionários de escritórios, destino da maioria
que deseja uma situação financeira estável.
Mas enquanto a hora da verdade não chega, os jovens gastam
toda a energia na busca por roupas que, obrigatoriamente, devem
ser as mais extravagantes possíveis.

Exemplo de banda "visual kei", Aile.
2
- Breve Histórico
Logo no inicio dos anos 70, uma porção
de celebridades do rock, do sexo masculino, no Japão, exploraram
novas formas de expressão visual, adotando a moda, estilo,
adornos e mesmo movimentos do sexo oposto.
X Japan parece ser a banda que iniciou isto tudo. Formado em 1982
por Yoshiki Hayashi, compositor, baterista e pianista, e Toshimitsu
Deyama, vocalista, debutam como X em alguns álbuns de compilação
de heavy metal em 1985 e 1987. Depois, Yoshiki criara a própria
banda indie deles e uma própria gravadora, Extasy Records,
e X lançam o primeiro álbum, Vanishing Vision, extremamente
pesado, mas com algumas melodias lentas agradáveis também
(Alive, Unfinished). Em março de 1989, exatamente um ano
depois de do álbum Vanishing Vision, X fez um debute como
profissionais em uma grande gravadora, Sony Records, com um álbum
fabuloso chamado Blue Blood. Mostra o real talento deles, sinceramente,
com uma menção especial para a faixa 11, Rose of
Pain, clímax do álbum, uma fusão perfeita
de rock e música romântica.
As cortes imperiais, os reinos milenares, tradições
e procedimentos raros, o movimento Visual Rock, cala muito fundo
longínquas terras japonesas. Como personagens transformados
tecnologicamente de uma obra de Mishima apresentada no tradicional
teatro Kabuki, esse movimento tem cada vez mais adeptos no mundo
ocidental - a ambigüidade, androgenidade, maquiagem, penteados
volumosos, vestimentas femininas e uma produção
invejável são o essencial desse movimento que vem
crescendo no Japão desde 1985.
Reconhecidamente, a sociedade pós-industrial está
dando lugar a uma época que requer das pessoas que refinem
seus gostos e que se diferenciem umas das outras. Um cético
seria rápido em dizer que a tendência ao individualismo
e à expressão da própria personalidade é
meramente uma intenção proposital de vender produtos
e serviços para as pessoas, de forma que se tornem mais
refinadas, e num nível mais profundo que foi possível
anteriormente. E isso é verdade, mas num nível elevado,
as pessoas agora tem a oportunidade de se expressar como desejam,
e irão, indubitavelmente descobrir coisas novas sobre o
universo.
O Visual Kei representa a emergente disposição japonesa
de usar a sensitividade existente na era pré-industrial,
enquanto usam uma musica que combina pop/rock com a musica barroca
e clássica, convidando as pessoas a experimentarem um novo
mundo, que tenha possibilidade de vir a ser tão belo e
cativante quanto a fantasia que ele representa.
O que está em jogo não é nada ideológico.
Ninguém pretende derrubar o imperador. A maioria dos jovens
de hoje quer apenas a liberdade de viver de acordo com as próprias
idéias. Cansados de um sistema que inibe a expressão
individual, os novos japoneses estão mostrando que já
não são tão iguais. Ao menos, no jeito de
se vestir.
Os ventos da mudança podem ser sentidos com maior intensidade
na capital, Tokyo. Mais precisamente, nas ruas dos bairros de
Harajuku e Shibuya, uma vitrine viva, onde estão as maiores
concentrações de jovens por metro quadrado da cidade.
É nesses tradicionais redutos da moda, que a juventude
antenada vai para ver e, claro, ser vista. Quem está lá,
dita as regras da moda que vai ser seguida pelos jovens do resto
do país. Tanto que os fotógrafos e produtores fazem
plantão nas movimentadas esquinas em busca das melhores
criações individuais que irão rechear as
diversas revistas de moda. "Atualmente, são os designers
que vão às ruas observar os jovens para se inspirar
na moda surgida no dia-a-dia", diz Mariko Suzuki, editora-chefe
da Revista Kera, destinada ao público de até 20
anos. "Mais atentos às novidades, os jovens são
os maiores entusiastas da idéia de que cada pessoa pode
escolher o que quiser vestir, sem seguir regras ou padrões"
Nos últimos anos, o Japão tem criado uma cultura
jovem com uma paixão por vestuário e adornos. Isso
é conhecido como "cosplays" ou "costume
play" e já tem se tornado conhecido no mundo todo
(a maioria das pessoas usam cosplay de personagens de desenho
animado). Talvez, voltando ao assunto dos dias históricos
do Kabuki, os jovens japoneses desejam continuar a tradição
de fuga da realidade através da roupa e estilo.
No Japão, entretanto, a forma tradicional de arte do Kabuki
produziu gerações de atores masculinos que interpretavam
papéis femininos, parecendo tão delicados e se movimentando
com tanta graciosidade que era difícil distingui-los de
uma mulher de verdade. Hoje, uma parte do pop-rock japonês,
o movimento "Visual Kei", repete a pratica de seus precursores
no mundo Kabuki e tem sucesso em criar uma forma de arte de apelo
totalmente visual, que desfruta de muita popularidade.
Precisamos aprender a não julgar pelas aparências,
são muito poucas as bandas na atualidade, que contam com
mulheres em sua formação. Com freqüência
as bandas criam uma fantasia muito particular para um álbum,
que é usada em revista, sessões de vídeo
e apresentações de shows; esta imagem é usada
por todos os membros do grupo até a aparição
do próximo álbum. Inclusive se uma banda se apresenta
com um visual gótico, punk, a surpresa é tremenda
na hora de escuta-los, já que deles pode-se ouvir pop,
heavy metal, gótico e até música clássica.
Também deve-se entender que a imagem que apresentam, nem
sempre refletem a vida real dos membros do grupo, simplesmente,
não é porque eles se vestem como uma garota, é
apenas no cenário que eles se vestem com vestidos; está
aqui justamente a inconsistência que faz a separação
da encenação "visual", do verdadeiro "gótico"
e do "punk" e outras variantes no Japão.

Exemplo de banda "visual kei", Psycho lé Cemu.
3
- A Música
A música Visual Rock é quase
impossível de classificar, dado que cada banda possui seu
estilo particular, e abarcam elementos de todos os lados, tanto
de música clássica como do gótico; todos
tem seu próprio mix de estilos musicais. Como a imagem
que apresentam, sua música também está em
constante mudança - em um álbum podem gravar em
estilo heavy metal, para no trabalho seguinte apresentar misturas
de pop com techno, constantemente mudam tanto a música,
o aparato, como o interesse e pensamento.
A maioria das bandas pertencem a selos independentes (denominadas
bandas indies), coincidentemente durante o período em que
eles se apresentam em seu melhor esplendor, o chamado "Visual".
Uma vez alcançado certo status, com freqüência
deixam de lado toda esta imaginária e mudam para um estilo
mais parecido com uma banda ocidental. Em alguns casos, o vocalista
ou outro membro de uma banda visual, abandonam o estilo, seguindo
carreira solo, deixando todo o vestígio de seu aspecto
visual de lado Este é o caso do cantor Gackt, que, ao deixar
sua banda original, Malice Mizer, não demorou muito tempo
para mudar radicalmente. No recente cenário do Visual Rock,
os favoritos pelo desenvolvimento da moda extremista são:
Dir en grey, D, Kagerou, Kagrra,, entre outros. Algumas das bandas
mais influenciadas pelo movimento gótico são Malice
Mizer, Velvet Eden e Art Marju Duchain.
Uma figura representativa no ramo do "Visual Kei" que
enfatiza qualidades femininas é o trio de rock Shazna,
cujo vocalista Izam, parece-se demasiadamente com uma linda garota.
Tão feminino é o Izam, que a maioria das pessoas,
de inicio pensam que ele é realmente uma mulher. Tal como
Malice Mizer, está caminhando na onda do expressionismo
visual que está varrendo a geração jovem
atual.
Ao contrário de Israeli, cantor da Dana Internacional,
um transexual que cruzou completamente as fronteiras do gênero
espiritual e fisicamente, Izam é totalmente heterossexual.
Ele tinha uma namorada, uma estrela de cinema e TV, Yoshikawa
Heinano.
O álbum recém gravado do Shazna, "Golden Sun
and Silver Moon" (Sol dourado e Lua prateada), vendeu mais
de 1 milhão de cópias, devido principalmente ao
impacto visual do grupo. Afinal, as bandas de Visual Kei enfatizam
mais a aparência e uma filosofia do que um tipo de musica.
A música é meramente um plano de fundo sonoro para
a tendência social dos homens de enfeitar-se com um toque
feminino e um desejo profundamente assentado de poderio pessoal
para ambos, homens e mulheres.
A maioria das fantasias do Malice Mizer é carregada pelo
uso de representações modernas da moda da era clássica
da Europa, estendendo-se do estilo francês do tempo de Luiz
XIV, aos czares russos. Seja num vídeo ou num concerto,
Malice Mizer enfatiza consistentemente uma ornamentação
barroca, movimentos e poses heróicos e dramáticos,
e fragilidade emocional e física - freqüentemente
retratadas em cenas de sofrimento. Em muitos shows, o músico
Yuki se metamorfoseia em um vampiro que morde a personagem feminina
de Mana no pescoço, deixando ambos sangrando, não
com jatos de sangue gotejando, mas com pingos de sangue escorrendo
suavemente do lado do pescoço ou do canto da boca.
As fãs femininas em particular, mas também os homens,
são cativados pelas imagens projetadas pelos artistas do
Malice Mizer. Mas a maioria dos fãs, não tem certeza
do por quê que o Malice Mizer os atrai tanto. Todavia, existem
algumas razões profundas porquê Malice Mizer e outras
bandas de Visual Kei exercem tamanha atração.
Malice Mizer, a primeira, mais famosa e mais importante, confia
num conceito que eles chamam de "retro-kan". Retro refere-se
ao passado e vem diretamente da palavra "retrospectiva".
Kan significa sentimento em japonês. Retro-kan é
um recurso visual, que usa a rica imaginação da
história datada de cerca dos anos XV, até a época
antes da Revolução Industrial. Esta época
é evocada não apenas por sua moda refinada e elegante,
mas também por sua sensibilidade clássica, sua visão
romântica da vida e da morte, e da total dependência
da expressão vibrante e artística do ser humano
integral, sem contar com os recursos tecnológicos ou artifícios
de habilidades pessoais. Nessa época da história
humana, as pessoas tinham mais tempo e contavam com suas habilidades
inatas e recursos do coração e mente para entreter-se
a si mesmos e aos outros.
Na época atual, a dependência da TV, computadores,
aparelhos de comunicação, e de uma coleção
de dispositivos de entretenimento, fez com que o ser humano perdesse
o contato com suas habilidades e com o alcançar o coração
dos outros através da expressão artística.
O Malice Mizer transporta a um mundo onde os seres humanos tem
uma vida interior mais rica, muito mais romântica e uma
experiência mais rica de relacionamento humano.
Bandas como Fanatic Crisis, Moi dix Mois, Lareine, Wizard, Dir
en grey, Pierrot, Mask, La'Cryma Christi, Gazette, Nightmare,
Vidoll entre outros também fazem parte da mania Visual
Kei no Japão.

Exemplo de banda "visual kei", Dir en grey.
4
- Curiosidades
* Garotos adolescentes no Japão estão
usando porções consideráveis de suas mesadas
em produtos de beleza que não estão associados com
a cultura masculina de 5 anos atrás. Como parte do crescimento
da beleza, rapazes jovens estão carregando suas próprias
pinças para sobrancelhas, lápis de sobrancelhas,
espelhinhos e outros acessórios em bolsas de maquiagens
feitas para homens. Se é verdade que as mulheres admiram
homens com olhos bonitos, segue-se que olhos acentuados por cosméticos
estão ainda mais na moda? A resposta parece que sim, pelo
menos no Japão. O resultado da popularidade segundo revela
a revista de moda feminina "An-An", é que os
homens que usam maquiagem, se arrumam e se pintam estão
no top de lista.
A Shiseido Cosmetics constata que as vendas de kits de beleza
para homens, incluindo produtos para o rosto excederam suas expectativas
de vendas no último ano.
* Um elegante "Gothic Lolita", EGL ou simplesmente Estilo
Lolita, é um adolescente ou jovem adulto japonês
que se veste com um estilo surpreendentemente elaborado, com roupas
de aparência infantil. Nos fins de semanas essas mulheres
andam nas ruas de Tokyo e Osaka e enchem o Parque Yoyogi e nas
vizinhanças de Harajuku onde posam para fotos de turistas
e passam o tempo mostrando sua beleza. Elas são bonitas,
glamourosas manifestações infantis de seus astros
favoritos de Visual Rock.
Esse tipo de comportamento parece ter começado por volta
de outono de 1999 como um estilo do tipo "Criada Francesa"
ou "Alice no País das Maravilhas" e se expandiu
gradualmente até incluir nuances de um Estilo Vitoriano.
Não se iluda - essas jovens não tem nada a ver com
o Estilo Western americano. Elas não ouvem música
country e elas não são góticas segundo o
padrão americano ou europeu (embora existam japoneses góticos,
mas eles não são uma subcultura predominante).
A música preferida do Estilo Lolita, que combine com o
visual e com os sons é uma mistura de heavy metal com tendência
ao gótico.
* Dir en Grey e Malice Mizer são as mais populares e autênticas
das bandas que as Gothic Lolitas imitam. O guitarrista da banda
Malice Mizer, Mana, é quem freqüentemente recebe o
crédito por ter começado a moda Gothic Lolita. Algumas
vezes ele usa um modelo no estilo de traje de luto Vitoriano,
com vestidos muito elaborados, cabelos longos e maquilagem escura.
O montante de tempo, energia e dinheiro que todas essas pessoas
gastam com sua aparência é realmente surpreendente
e inspirador ao mesmo tempo.
Há fãs homens de todas as formas de Visual Rock,
mas os homens não participam do estilo Gothic Lolita. Os
fãs masculinos não se interessam em parecer femininos
e são as mulheres que querem ser parecidas com seus ídolos.
Quando o visual começa a tender para o traje Vitoriano,
com vestidos longos escuros, maquiagem tétrica, então
é Visual Kei ou apenas Gótico, e não Gothic
Lolita. Mas um visual Vitoriano elegante com saia longa ainda
é considerado Gothic Lolita.
As mulheres que se vestem no Estilo Lolita, o fazem somente nos
fins de semana e para ir a concertos ao vivo. Esta é uma
forma de escape para elas, uma maneira de faze-las se parecerem
com seus ídolos e para chamar a atenção.
A tentativa de parecer jovem e elegante ao mesmo tempo é
um fenômeno puramente japonês. Dá pra imaginar
adolescentes brasileiras hoje simulando Gothic Lolitas e parecer
elegante ao fazê-lo? Possivelmente esse visual Lolita exerce
a mesma fascinação para elas como faz o estilo Vitoriano
ou Renascentista no ocidente. O encantamento de um tempo em que
o traje era mais estimulante e melhor. Ou talvez essas jovens
mulheres japonesas estão simplesmente seguindo uma tendência
de ser uma parte da conformidade de uma enorme multidão.
De ambos os modos este estilo é um visual bem vindo no
cenário da moda mundial.
* Os fãs do Visual Rock, podem desfrutar de numerosos e
elaborados shows, assim como eventos em clubes noturnos. Eles
também podem ver mais detalhes e informações
em revistas como Shoxx, Vicious e Fool's Mate, junto com centenas
de sites na internet encontrando informações detalhadas
dos grupos favoritos nos quais podem baixar mp3, vídeos,
letras em inglês, fotos e o que existir deles.
A aparência de muitos chamam demasiadamente a atenção
de todos, basta lembrar o ex-membro do X-Japan, Matsumoto Hideto,
ou o visual da temporada 2001 do Malice Mizer ou os penachos do
baixista da banda Glay para se ter uma idéia da importância
disso no Japão. Outro fator é que eles não
exportam suas musicas, dado que não lhes faz falta, eles
fazem todo ciclo dentro de sua própria ilha, vendem milhões
de discos e todo o derivado deles, avisos publicitários,
promoções de filmes, como o tema de fechamento do
filme Final Fantasy, elaborado pela banda L'Arc~en~Ciel. Uma curiosidade
é que em um show recente da banda GLAY, foram reunidas
aproximadamente 200 mil pessoas.
* Todo fã de Visual Kei tem pseudônimo devidamente
impresso em um cartão de visitas, que distribui a vontade
as pessoas lá no seu canto de Harajuku.

Exemplo de banda "visual kei", Gazette.
5
- Roupas e Acessórios
Herdeira de uma sociedade milenar, a juventude
da segunda maior economia do mundo parece recém saída
de uma festa muito louca onde quanto mais diferente e exótico,
melhor. No mundo todo costuma se dizer que japonês é
tudo igual. Grande engano. Cansados desta fama, os jovens do Japão
fazem de tudo para ser diferentes. São tão ousados
que, para os ocidentais mais parecem fantasiados.
Os ídolos que servem de inspiração da tribo
Visual Kei são, principalmente, os grupos musicais cujos
integrantes costumam se produzir com figurinos pra lá de
excêntricos e com uma maquiagem em estilo fantasmagórica.
A produção visual das adolescentes beira o inconcebível
- em comum, a variedade de acessórios e complementos como
chapéus, óculos, cintos, meias coloridas e estampas
de animais como zebra e onça, tamanco de lacinho, flor
de plástico no cabelo, imensas unhas postiças e
mais um elenco de loucuras. A ordem é dar vazão
a todas as fantasias. Tudo no jeito de vestir dos adolescentes
que circulam nesses bairros é conhecido no ocidente. Diferente
é a atitude. A idéia é, simplesmente, curtir
o figurino.
Os cabelos, independentemente do sexo, são lisos, tingidos,
arrepiados ou simplesmente uma peruca colorida e penteados das
mais variadas formas (para as mulheres, incluem-se arranjos).
Lentes de contato, piercings, anéis, correntes, maletas
e botas de couro, maquiagem branca ou exagerada, capas, terno
de veludo e laço de cetim, vestimentas de bonecas e até
mesmo braços enfaixados com gaze e sangue falso. Um guarda-sol
é indispensável nos dias ensolarados. Copiar as
bandas visuais não é tarefa fácil, uma vez
que as fantasias das bandas mudam constantemente.
Os modelos são variados: médicos, enfermeiras, loucos,
gueixas, bonecas góticas e outras criaturas transformam
o espaço em um cenário de teatro.
Bolsas grandes são carregadas. Algumas são enormes,
tipo malas numa variedade de modelos desde bolsa de viagem até
maletas retangulares (geralmente usa-se bolsas grandes pois as
adeptas costumam levar suas roupas dentro das mesmas no trajeto
de suas casas aos bairros de encontro normais; e ao chegarem nesses
locais costumam se produzirem em banheiros de redes de restaurante
do tipo McDonald's, Burguer King, o que tornam esses banheiros
verdadeiros mini-camarins).
A explosão de criatividade (e de exibicionismo) dessa tribo,
porém, é do tipo Cinderela - evapora-se na hora
de voltar para casa. Antes de entrar no trem, as meninas congestionam
os banheiros de restaurantes para se trocar, pois o visual extravagante
incomoda as pessoas.
Exemplo de banda "visual kei" formado por mulheres,
Danger Gang.
6
- Conclusão
No
Japão atual, onde as pessoas tem tanto desejo reprimido
de expressar-se como indivíduos, o jovem Izam (do grupo
Shazna), satisfaz esta poderosa urgência pela concretização
de suas mais profundas fantasias. Pessoas de todas as idades fantasiam-se,
permitem a si mesmos realizar magia, viajar no tempo e mesmo mudar
extremamente. Tais fantasias são os pensamentos de pessoas
comuns, que tem o impulso interno e a ânsia de controlar
seu próprio destino, através de mudança enérgica.
Assim, quando legiões de fãs e não fãs,
semelhantemente sentem-se fascinados com Izam, estão influenciados
(ou hipnotizados) pelo que seu subconsciente vê como um
exemplo de realizar o impossível: passar por uma metamorfose
de extrema proporção. Na verdade, é como
se Izam tenha se transformado magicamente em uma criatura do sexo
oposto.
Irão os homens e mulheres gostar de alterar radicalmente
suas aparências, imitando o sexo oposto o mais próximo
possível? Definitivamente não - mesmo se não
for por outra razão que as características do próprio
gênero, a maioria das pessoas nunca poderiam ser distinguidas.
Mas no mundo geralmente, onde a liberdade de expressão
própria está crescendo rapidamente, nós podemos
esperar que as pessoas sejam seduzidas por cada tecnologia histórica,
cultural, sexual e no futuro, recursos genéticos que acrescentem
a seu repertório de ferramentas de expressão própria.
Com a tecnologia atual, vastos recursos de informações
à escolha do consumidor virtualmente ilimitada, vivemos
na Idade do Triunfo Individual.
O Visual Kei japonês é apenas uma expressão
e celebração desta fase bem-vinda do progresso social
nipônico.
Os jovens sabem apenas que esta tendência de modelo musical
é algo que eles realmente gostam, porque é simplesmente
"kakkoi", ou seja, legal. Mas uma análise mais
profunda revelará que o Visual Kei é uma expressão
de algo que é mais importante, de mudanças extensas
que estão acontecendo hoje no Japão.
Os jovens não gostam mais de vestir as mesmas coisas que
seus amigos porque querem ser identificados como indivíduos.
Mas a busca da individualidade limita-se ao guarda-roupa. No comportamento
a velha cultura nipônica de colocar o grupo acima do individuo
continua viva e atuante. Prova disso é a volta do "para-para",
uma dança dos anos 80 em que todo mundo tem que fazer exatamente
os mesmos movimentos sincronizadamente.
Exemplo de banda "visual kei", Elldorado.
*
Trabalho elaborado por Leandro Yoshiki em Maringá-Pr, 2002.
|
|